HOSPITAL COLÔNIA DE BARBACENA
CENÁRIO DE UM DOS MAIORES MASSACRES DO BRASIL,
E MUNDIALMENTE CONHECIDO COMO:
HOLOCAUSTO BRASILEIRO
Criado em 1903 a princípio como um sanatório requintado, luxuoso, linha de trem exclusiva,
chegando a ter um menu francês e talheres de prata, ao longo do século 20 se transforma em
um depósito de “loucos”, comparado a um esgoto da sociedade. Homens, mulheres e crianças,
todos os indesejados pela sociedade, um “esgoto” a céu aberto literalmente. Um hospital que
teria uma finalidade terapêutica como qualquer outro, mas tinha junto à ele um cemitério!! O
que nós vemos que aconteceu no Hospital Colônia de Barbacena foi uma mistura do hospital
Geral criado pelo rei Luís XIV com a tentativa frustrada do Asilo, criado por Philippe Pinel. Um
bando de desumanizados, sem voz, sem resposta, sem expectativas, sem saída. Simplesmente
por serem negros (na sua grande maioria), meninos e meninas sem mãe e pai, todos
abandonados, desajustados que não se encaixaram em uma sociedade “justa”, tão justa que
os abandonaram à própria sorte. Sorte esta, roubada por ela mesma quando os deram as
costas, negando comida, expondo sua nudez. Todos eles cuidados carinhosamente a base de
banhos gelados e eletrochoque. Se fosse resumir em poucas palavras este Holocausto, o que
levou a tudo isso fazendo uma simples analogia, o Hospital Colônia era o “tapete” e os internos
“a sujeira”. A sociedade não via, mas a sujeira estava lá. A história manicomial, não só do
Brasil, mas do mundo começa ver uma luz, com o aparecimento dentro desse contexto, de
Franco Basaglia, questionando a exclusão e o encarceramento, criticando a inviabilização dos
manicômios e colocando em xeque o tratamento versus a proteção dos saudáveis contra a
“dona loucura”. Uma história que está longe de acabar, se não ficarmos atentos.
Sugiro para quem quiser se aprofundar nessa história ler o livro ou ver o documentário Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, de 2013, produzido pela History Channel Brasil

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